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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TRAIRI: Operação da PF prende prefeita eleita, vice e vereador.

                                     Promotores que deram início na operação.
                 
A prefeita eleita de Trairi, município distante 125 km de Fortaleza (Norte do Estado), Regina Nara Batista Porto (PSDB), e o vice-prefeito eleito José Ademar Barroso (PSL) correm o risco de não assumir o mandato em 2013. A dupla e mais dez pessoas foram presas, temporariamente, na manhã de ontem, acusados de formação de quadrilha, corrupção eleitoral e transporte irregular de eleitores. Foram levados para o presídio local.

Se comprovados os crimes, será aberta uma ação de impugnação de mandato para que prefeita e vice sejam impedidos de assumir a gestão. Caso seja confirmada a hipótese, assumirá a administração de Trairi no dia 1° de janeiro o segundo colocado na disputa pela Prefeitura, Francisco José Ferreira Noronha (PMDB).

Como vice, Manoel Oliveira Filho (PV) ocuparia o posto. O procurador eleitoral Márcio Torres pondera, entretanto, que se até a diplomação não houver ação contra prefeita e vice eleitos, não haverá impedimento para que ambos assumam os mandatos.

As prisões realizadas ontem, resultado da Operação Trairi Limpo III, representam o segundo escândalo político envolvendo o município do Litoral Oeste do Ceará em menos de três meses. Em setembro último, o prefeito da cidade, Josimar Moura Aguiar (PRB), foi afastado do cargo suspeito de ter desviado R$ 19,6 milhões dos cofres do Município. À época, Trairi passou pelo menos quatro dias sem gestor público.

A operação desencadeada ontem, porém, não tem qualquer relação com o caso registrado em setembro. A prefeita recém-eleita, presa nesta terça-feira, pertence ao grupo político que fazia oposição ao prefeito afastado há dois meses. Alguns dos crimes praticados pelos dois, entretanto, são semelhantes.

Segundo o promotor de Justiça da comarca do Município, Igor Pinheiro, a investigação foi iniciada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Federal e Procuradoria Regional Eleitoral após verificadas ligações telefônicas que apontavam indícios de irregularidades na campanha eleitoral da coligação encabeçada por PSDB e PSL.

Os áudios captados pela Polícia Federal revelaram que pessoas ligadas à prefeita eleita compravam votos de trairienses oferecendo material de construção, vale-combustível, aquisição de remédios, empregos na futura gestão municipal, a construção de poços profundos, e até certidão de nascimento.

Também foram apontados indícios de venda de votos para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal em 2013, com referência sobre a setorização das áreas que alguns membros possuiriam na futura gestão municipal.


Ainda ontem à tarde foram realizadas oitivas com eleitores que teriam sido corrompidos pela quadrilha. Segundo o Ministério Público, três eleitores confirmaram ter recebido de Regina Nara e José Ademar a promessa de benefícios em troca de votos.

Os presos

Regina Nara Batista Porto
- prefeita eleita
José Ademar Barroso - vice-prefeito eleito
Henrique Mauro de Azevedo Porto - pai da prefeita eleita
Henrique Mauro de Azevedo Porto Filho - vereador de Trairi e
candidato eleito para o mesmo cargo
Carlos Gustavo Monteiro Moreira - vereador eleito
José Soares de Sousa - candidato a vereador
Adaílton do Canaã - motorista do grupo
Regina Alves de Castro
Pedro Moreira Neto
Erasmo Izaías da Costa
“Toinha”
“Nazareno”

Saiba mais

Os 12 envolvidos no caso permanecerão presos por cinco dias. A prisão temporária poderá ser prorrogada por mais cinco dias. Neste intervalo, todos os presos serão interrogados e novos envolvidos poderão ser detidos.

Entre os presos, além da prefeita eleita e seu vice, há também vereadores eleitos, familiares e funcionários do grupo. Também foram apreendidos ontem cheques, agendas e recibos dos acusados.

Também está em andamento uma investigação de furto, na sede da delegacia local, de provas materiais (dinheiro enrolado em ligas) referentes à prática de corrupção eleitoral.

O dinheiro havia sido apreendido com José Ademar Barroso na véspera da eleição.

Além dos crimes eleitorais envolvendo a prefeita eleita, a investigação apontou ainda indícios de favorecimento ao vereador eleito Gustavo Monteiro Moreira para ocupar a presidência da Câmara Municipal de Trairi na próxima legislatura.

De acordo com o Ministério Público, o tio do vereador, identificado como Pedro Neto, foi apontado pelo chefe da quadrilha (Henrique Mauro de Azevedo Porto) como o “mestre” que “ajudou” os demais integrantes do grupo a se beneficiarem no esquema.

Fonte: O POVO